TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) caracteriza-se por uma combinação de sintomas tipo desatenção, hiperatividade e impulsividade, tipo combinado, tipo não específico. Esses sintomas são percebidos pela forma que a criança se comporta e no seu desempenho escolar, social emocional. Benczik e Rohde (1999), relatam que antigamente era entendido que as meninas apresentavam quatro vezes menos o TDAH que os meninos. Essa ideia baseava-se nos estudos realizados a serviço da saúde mental. A razão dessa diferença nos estudos antigos é recente e simples: meninas tendem a apresentar TDAH com predomínio de sintoma de Desatenção, portanto incomodam menos na escola e em casa do que os meninos.

Em relação à sua impulsividade e hiperatividade, a criança dificilmente pensa em suas ações. No entanto, podemos perceber facilmente que as outras crianças se sentem amedrontadas com a facilidade que a criança com TDAH se torna irritada, frustrada ou agressiva. “Isso acontece porque as crianças de todas as idades são cientes do comportamento anormal da criança portadora de TDAH, e tendem a vê-la de um modo negativo”. (GOLDSTEIN e GOLDSTEIN, 1998)

Os tipos impulsivos são crianças que não conseguem ficar paradas. São impacientes e agem sem pensar muitas não têm controle sobre suas ações. Essas características dificultam o relacionamento com outras crianças, sem se preocupar com as consequências, esses atos impulsivos podem ser extremamente perigosos os comportamentos dos impulsivos não se limitam a comportamentos prejudiciais. Conforme Phelan, (2005 p.21), “quando frustrada, a criança grita com outras crianças e, às vezes, até mesmo agredi-las fisicamente ou empurrá-las, na tentativa de conseguir que tudo seja feito de seu jeito”.

A característica marcante do TDAH é quando a criança começa a representar um enorme desafio para pais e professores e tornar-se um problema comum na infância. A hiperatividade é independente e se manifesta na criança, acompanhando seu desenvolvimento e aparece em vários ambientes: em casa, na escola e no relacionamento com os amigos. As crianças hiperativas têm dificuldades em trabalhar com atividades que disponibilizam consequências de longo prazo.

 

A prevalência do TDAH no Brasil é alta, sendo que em crianças em idade escolar, a prevalência média varia de 5 a 18%, podendo a mesma variar conforme a região do país e a forma como a avaliação diagnóstica é realizada, além da faixa etária avaliada (Guardiola, Fuchs, & Rotta, 2000; Possa, Spanemberg, & Guardiola, 2005; Costa, Maia Filho, & Gomes, 2009; Charach, 2010; Fontana, et al., 2007). Juntamente com as dificuldades em decorrência da falta de concentração e da hiperatividade/impulsividade, a criança com o transtorno podem vivenciar ainda uma série de outros prejuízos como problemas emocionais, dificuldades escolares e abuso de substâncias na adolescência (Charach, 2010; Glass, et al., 2011).

A etiologia do TDAH parece estar ancorada em uma combinação complexa entre fatores genéticos, no qual alguns estudos indicaram a existência de marcadores genéticos e fenotípicos familiares, assim como a transmissão poligenética; biológicos, diante do qual se observou uma maior prevalência em gêmeos, chegando a 95%, contra a população em geral, em torno de 4,6%, ambientais e sociais. Além disso, tem sido considerado, também, alterações neurais nas funções executivas, acarretando em seu mau funcionamento decorrendo na desatenção do TDAH, que caracteriza-se por uma dificuldade em inibir comportamentos e de controlar as interferências. As conseqüências da falha neste processo inibitório seriam responsáveis pelas sintomatologias de baixa tolerância à espera, alta necessidade de recompensa imediata, falta de um comportamento governado por regras, falha na previsão das conseqüências e emissão de respostas rápidas, porém imprecisas (Barkley e cols., 2008, Strayhorn, 2002). Por outro lado, parece haver, sob a óptica da neuroquímica, consenso que há uma significativa participação da noradrenalina, com seu papel na atenção, e da dopamina, que atua nos centros motores (SANTOS; VASCONCELOS, 2010).

O diagnóstico do TDAH está relacionado a uma envolvente coleta de dados e informações tanto da criança como dos pais e professores. Nessas coletas são necessárias informações detalhadas sobre a conduta da criança no ambiente escolar, familiar e social. A entrevista com os pais vem em primeiro lugar. Eles são quem conhecem o histórico de desenvolvimento da criança, do histórico familiar diante das informações obtidas os pais passam a conhecer mais sobre o TDAH com ele é caracterizado e como é o tratamento. Há também a coleta de informações. Nessa coleta podem-se verificar notas, observações dos professores sobre a criança o desempenho da criança a colocação atual de dela em sala de aula. Essa entrevista muitas vezes leva tempo, mas é de suma importância para o diagnóstico. De acordo com PHELAN (2005 p.109), “A entrevista pós-diagnóstico é também o momento de preparar os pais e a criança – motivá-la – para plano de tratamento”. Assim que por vez todas as informações forem coletadas e avaliação terminada o avaliador passa o resultado para todos.

Segundo Henriques (2008), a Associação Americana de Psiquiatria, através de uma publicação oficial, chamada DiagnosticandStatistic Manual (DSM), propõe que para se diagnosticar TDAH, devem estar presentes no mínimo seis de uma lista de nove sintomas de desatenção, e no mínimo seis de uma lista de nove sintomas de hiperatividade e impulsividade. Henriques relata que os itens desta lista são: 1. Deixa de prestar atenção em detalhes e comete erros por descuido em atividade escolares, no trabalho ou em outras atividades; 2. Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou jogos; 3. Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra; 4. Não segue instruções e não termina deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais; 5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades; 6. Evita, empatia ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço metal constante, como tarefas escolares ou deveres de cada; 7. Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades; 8. Distrai-se por estímulos alheio à tarefa; 9. Apresenta esquecimento nas atividades diárias.

A avaliação neuropsicológica tem como uma de suas finalidades realizar o mapeamento cognitivo do sujeito, o que permite identificar se domínios e subdomínios cognitivos estão preservados ou se apresentam algum déficit. Também auxilia na formulação de hipóteses diagnósticas frente a queixas apresentadas, como por exemplo, suspeitas de transtorno do neurodesenvolvimento (Zimmermann, Kochhann, Gonçalves, & Fonseca, 2016).

 

O primeiro passo, para que os pais façam o tratamento do TDAH, é o conhecimento do transtorno, a própria criança ou os pais, precisam aprender sobre o TDAH, saber como ele se apresenta, como isso compromete o modo da pessoa ser e agir no cotidiano, suas reações e principalmente que isso não é culpa de ninguém, nem da pessoa nem de seus pais. Para obter esse conhecimento é fundamental conversar com que conhece, ou ler sobre o assunto. O programa de tratamento do TDAH deve sempre incluir esses três componentes: informação e conhecimento; medicação; recursos psicoterápicos. Os medicamentos mais utilizados e que costumam dar os melhores resultados são medicamentos que pertencem à classe dos estimulantes, no Brasil, o único que existe dessa classe é o metilfenidato.

O tratamento incluindo ou não medicamentos, deve ser longo e suficiente para um controle dos sintomas durante um período maior, contornando ou minimizando os problemas na vida escolar, familiar e social.

As contribuições da Psicologia auxiliam na tarefa de educar, sabe-se que cada dia as crianças tendem a estar cada vez mais cedo junto a Instituições de caráter educativo, visto que as condições de vida social se tornam cada vez mais complexas, logo, ensinar requer um conhecimento sobre quem é a criança, como ela aprende e se constitui. De acordo com Mantoan (1997), se o aluno possui alguma dificuldade de aprendizagem, é preciso de diversidade na forma de ensinar, mas enquanto os professores estiverem presos á ideia de integrar, não é possível incluir. Há uma grande discussão em relação aos termos inclusão e integração. Segundo o autor, a integração e a inclusão são dois sistemas organizacionais de ensino que têm a origem no princípio da normalização, normalizar não significa torná-la normal, significa dar o direito de ser diferente e ter suas necessidades reconhecidas e atendidas pela sociedade. Na área de educação, normalizar trata-se de oferecer ao aluno com necessidades educativas especiais recursos profissionais e institucionais adequados para que ele se desenvolva.

O TDAH é realmente um transtorno, cujo diagnóstico é clínico. Crianças, adolescentes e adultos hoje diagnosticados com TDAH são frequentemente rotuladas de “problemáticos”, e como tal, com toda certeza merece ser tratada e diagnosticada o mais rápido possível. O tratamento deve ser administrado de acordo com o grau da doença.

 

Referência: Taborda, R. B. S., & da Silva, F. J. A. (2021). O TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE-TDAH EM SALA DE AULA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação7(4), 590-603.

Dra Karina Kelly Borges

 

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